O holocausto

Racismo e extermínio humano

O termo holocausto (sacrifício em que a vítima é inteiramente queimada) designa o extermínio em massa de judeus e outras minorias levado a cabo pelos nazistas na Europa, durante a II Guerra Mundial. Entre 1939 e 1945, foram assassinados dois terços da população judia residente na Europa.

O holocausto foi o resultado da materialização das teorias racistas proclamadas pelo Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores (Partido Nazista) desde a sua fundação, em 1919. A perseguição aos judeus começou com a chegada dos nazistas ao poder, em 1933, mas a política de extermínio em massa só foi ativada na II Guerra Mundial.

As teorias racistas nazistas

Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, escreveu em 1925 Minha Luta ( Mein Kampf), obra autobiográfica na qual expôs as suas teorias racistas. Para Hitler, existia uma hierarquia entre os povos na qual os arianos ocupavam o lugar mais alto e os judeus, o lugar mais baixo. Hitler queria preservar a “raça” ariana de qualquer contaminação provocada pelos judeus.

Ainda que os judeus representassem uma pequena minoria na Alemanha (600.000, cerca de 1% da população total), Hitler encontrou no antissemitismo um pretexto para atrair as massas e desviar a atenção da grave situação econômica pela qual a Alemanha passava desde a I Guerra Mundial (1914-1918). O ódio racial nasceu e foi alimentado pelo papel de destaque desempenhado pela comunidade judaica na vida econômica e social alemã.

O Partido Nazista no poder: a legalização do racismo

  • As primeiras medidas antissemitas
    Em novembro de 1932, o Partido Nazista ganhou as eleições alemãs obtendo 33% dos votos. Em janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler pelo presidente Hindenburg e implantou o que denominava Terceiro Reich. Hitler autoproclamou-se Führer (guia) do Reich e criou a Gestapo, polícia secreta encarregada de garantir a obediência ao regime.O Partido Nazista transformou a pureza racial na base da sua ideologia política. Em 1933, a legislação antissemita excluiu os judeus dos cargos públicos, do serviço civil, dos contratos de arrendamento, do jornalismo, do rádio, do teatro e do cinema. Em 1934, foram expulsos das casas de câmbio.A violência e a discriminação legal foram livremente aplicadas. As SA (Seções de Assalto), grupos paramilitares nazistas, tinham carta branca para atacar casas, lojas e sinagogas. Contudo, a organização mais eficaz do Partido Nazista na perseguição aos judeus foram as SS (Polícia de Segurança), instrumento supremo da vontade de Hitler, cujo chefe era Heinrich Himmler.O sistema policial implementou a criação de centros de reclusão para os inimigos do regime, os chamados campos de concentração ( Lager, em alemão). O primeiro campo (Dachau, situado perto de Munique) foi criado em março de 1933, seguido de Sachsenhausen (1933), Buchenwald (1937), Mauthausen (1938), Flossenburg e Ravensbrück (1939). Entre 1940 e 1943 foram criados mais oito campos: Auschwitz, Bergen-Belsen, Gross-Rosen, Kaiserwald, Majdanek, Natzweiler-Struthof, Neuengamme e Stutthof. Os chefes de grupo dos campos (Kapos), que se encarregavam do controle direto dos prisioneiros sob a supervisão das SS, tinham sido na sua maioria recrutados entre pequenos delinquentes.
  • As leis de Nuremberg
    Em 15 de setembro de 1935, iniciou-se uma nova etapa da legalização do antissemitismo com a proclamação das leis de Nuremberg “para a proteção do sangue e da honra alemães”. Foi declarado judeu não o praticante da religião judaica, mas qualquer pessoa que tivesse um ascendente judeu, por mais distante que fosse. Os judeus perderam a cidadania e o direito de voto, foram proibidos os casamentos e até o relacionamento entre judeus e alemães não judeus. A partir de 1938, foram proibidos de trabalhar como advogados, médicos ou empresários. Foram também excluídos dos lugares de lazer e até de lojas de produtos alimentícios, que anunciavam com um letreiro que a entrada de judeus não era permitida. Para poderem ser facilmente reconhecidos, os judeus foram obrigados a costurar nas roupas uma estrela amarela.As leis de Nuremberg foram complementadas por decretos posteriores, que puseram os judeus completamente à margem da lei. Arruinados, perseguidos e constantemente acusados, tanto como indivíduos quanto como comunidade, os judeus não podiam abandonar a Alemanha a menos que deixassem para trás todos os seus bens.
  • A Noite das Vidraças Partidas
    Com esse nome ficou conhecida a noite de 9 para 10 de novembro de 1938. As SA assassinaram dezenas de judeus, agrediram e detiveram vários milhares deles, destruíram suas lojas e incendiaram as sinagogas. Entre 30.000 e 40.000 judeus foram deportados para campos de concentração. O Partido Nazista exigiu dos judeus o pagamento de uma alta indenização como compensação pelos danos causados pela “justa cólera” do povo alemão.Essa noite marcou o ponto culminante das perseguições antissemitas anteriores à guerra. A política antissemita do regime tornou-se cada vez mais dura. Aproximadamente 150.000 judeus fugiram para a Palestina, para os EUA, para a América Latina, China ou para outros países europeus. Aqueles que permaneceram no continente europeu viram-se de novo perseguidos pelos nazistas durante a II Guerra Mundial.Apesar da perseguição nazista, em 1938 viviam ainda cerca de 350.000 judeus na Alemanha. A anexação da Áustria, em março de 1939, incorporou outros 200.000 judeus ao Terceiro Reich.

Os anos da guerra: a Solução Final

  • A nova ordem
    Em 1.º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia, começou a II Guerra Mundial. Em 1940, os alemães ocuparam a Noruega, a Dinamarca, os Países Baixos, a Bélgica, Luxemburgo e parte da França. Por outro lado, países como a Itália, a Romênia e a Hungria uniram-se à Alemanha.A guerra disseminou a barbárie nazista. Durante quatro anos, a Alemanha dominou grande parte da Europa e impôs a nova ordem – a superioridade da “raça ariana”. Os não arianos foram reduzidos legalmente ao estatuto inferior de escravos ou súditos do Terceiro Reich. A nova ordem implicava também a eliminação física de todos aqueles que eram considerados perigosos para o Reich.Depois da invasão da Polônia, o número de campos de concentração foi crescendo. Criaram-se também campos de trabalhos forçados. Nas principais cidades da Polônia, país onde residiam mais judeus, foram estabelecidos guetos onde eles foram obrigados a viver. Em 1940, foi erguido um muro em volta do gueto de Varsóvia, onde viviam mais de 400.000 judeus, para isolá-los do resto da cidade. Centenas de milhares de judeus, procedentes dos territórios ocupados pela Alemanha, eram enviados para os guetos poloneses.
  • Os campos de extermínio
    Tendo aprisionado a maioria dos judeus da Europa, Hitler podia então iniciar a sua Solução Final, um programa de extermínio em massa para eliminar completamente os judeus do continente europeu.Em 1941 entraram em funcionamento os campos de extermínio. Auschwitz, que já existia como campo de concentração, foi o mais importante deles. Equipado com quatro câmaras de gás e grandes fornos crematórios, tornou-se o local em que foram utilizadas as mais avançadas técnicas de assassínio em massa, como a do gás Zyclon B, comercializado como inseticida. Em Auschwitz, mais de 1.000.000 de pessoas morreram (nove décimos delas eram judeus). O campo de concentração de Majdanek foi também transformado em campo de extermínio.Na Polônia, campos como o de Chelmo, Treblinka, Sobibor e Belzec, e outros menores como Riga, Vilna, Minsk, Kaunas e Lwow foram criados com o propósito de exterminar o maior número possível de judeus. Estavam situados em zonas rurais, afastados dos maiores núcleos populacionais e perto de estações de trem.Ao chegarem aos campos, os detidos eram separados em grupos de homens, mulheres e crianças. Depois de despojá-los dos bens que traziam consigo, os guardas obrigavam os judeus a se despir para serem observados por um médico das SS, que decidia quem estava apto para trabalhar e quem passava diretamente às câmaras de gás.Foram praticadas indescritíveis atrocidades nesses campos, onde os prisioneiros eram utilizados como cobaias em experiências médicas e os restos humanos eram aproveitados para fins industriais. Aqueles que não morreram nas câmaras de gás sucumbiram à fome, ao frio e aos maus-tratos – muito poucos conseguiram sobreviver.Em 20 de janeiro de 1942, os responsáveis nazistas dos países ocupados, as organizações administrativas e os serviços de segurança reuniram-se em Wannsee para uma conferência. Reinhard Heydrich, o mais alto chefe de segurança do Reich, declarou que o extermínio era mais realista que a política de emigração e precisou as etapas da Solução Final: os judeus seriam perseguidos por toda a Europa, deportados para os campos de concentração e, posteriormente, transportados para os campos de extermínio. Iniciou-se assim um autêntico programa de aniquilação, que punha em prática o projeto pessoal de Hitler. O primeiro passo era, portanto, agrupar os judeus em guetos para enviá-los depois para o destino final. Nos campos de extermínio, o número de pessoas assassinadas cresceu rapidamente. Em 1944 e 1945, morriam 6.000 pessoas por dia nas câmaras de gás de Auschwitz (500.000 em menos de três anos). O extermínio continuou até o final da guerra. De acordo com os números divulgados durante o julgamento de Nuremberg contra os dirigentes nazistas, que coincidem com os cálculos do Congresso Mundial judeu, foram exterminados 5.700.000 judeus durante o holocausto.
Monumento em memória das vítimas do holocausto judeu 2003-2005, de Peter Eisenman, Berlim, Alemanha

Dia do vestibulando, 24 de maio

Todos aqueles que já passaram por esse tipo de avaliação sabem: o vestibular carrega uma forte carga de angústia e ansiedade. Trata-se de um momento decisório para grande parte dos jovens, no qual se escolhe, ainda sem muitas experiências, o futuro profissional.

A palavra vestibular vem do latim vestibulum, cujo significado é “entrada”. O exame foi criado no Brasil em 1911 por Rivadávia da Cunha Corrêa, então ministro da Justiça e dos Negócios Interiores. O objetivo era avaliar os candidatos às universidades públicas do país, cada vez mais procuradas, por meio de testes escritos e orais. Antes disso, as vagas das instituições educacionais de ensino superior, criadas por Dom Pedro I em 1827, eram ocupadas por estudantes de colégios tradicionais, como o de mesmo nome do monarca, no Rio de Janeiro.

As primeiras provas de vestibular eram divididas em duas áreas: línguas e ciências. Era comum que tópicos do primeiro ano de faculdade fossem cobrados também, o que incentivou a criação de cursos especiais, embrionários dos atuais cursinhos. Com o passar do tempo, a prova oral tornou-se inviável e foi abolida.

Nos anos 1960 surgiram os primeiros exames unificados, por meio dos quais era possível concorrer a mais de uma universidade pública. Um dos vestibulares mais concorridos do país, a Fuvest, surgiu em 1976, e por meio dele era possível tentar o ingresso a três universidades: Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Isso mudou em 1985, com a desvinculação da Unicamp. Em 1983, a Unesp já havia feito o mesmo.

Em 1970, a Comissão Nacional do Vestibular Unificado, criada para regulamentar os exames, restringiu o conteúdo a matérias do Ensino Médio. Os testes de múltipla escolha surgem na mesma época e contam com a ajuda da tecnologia para a contagem de acertos e erros. As universidades particulares pouco a pouco passam a adotar o modelo.

Mudanças no vestibular: Enem

Outro tipo de avaliação vem crescendo no país e, pode-se dizer, tomando o lugar de alguns vestibulares como meio de ingresso ao Ensino Superior. Trata-se do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Criado em 1998 pelo Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de avaliar a qualidade do Ensino Médio oferecido no país, a prova ganhou novos atributos em 2009. Por meio do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), atualmente ela pode ser utilizada na tentativa de ingresso a universidades federais filiadas. O exame é importante também para a obtenção de bolsas de estudo parciais ou integrais em instituições particulares conveniadas ao Programa Universidade para Todos (ProUni).

O primeiro Enem era composto de 63 questões interdisciplinares de múltipla escolha e uma redação. A partir de 2009 passou a ter 180 questões (45 para cada área, mais a redação) divididas em dois dias e elaboradas com base na matriz de referência publicada pelo MEC em maio do mesmo ano, com a descrição de habilidades e competências que o aluno deve demonstrar. Nessa estrutura, espera-se do estudante o domínio de cinco eixos cognitivos comuns às áreas de Linguagens e Códigos, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. São eles: o domínio de linguagens, a compreensão de fenômenos, o enfrentamento de situações-problema, a argumentação e a elaboração de propostas.

Ao permitir com que, por meio de um único exame, o candidato concorra a diversas universidades, o MEC pretendeu alterar e promover a mobilidade de alunos pelo território brasileiro, fazendo com que os jovens estudantes se espalhem e não fiquem restritos a regiões socioeconômicas mais abastadas, gerando mais equilíbrio entre todas. De acordo com o Censo 2010, a matrícula em universidades federais cresceu 85,9% em dez anos, desde 2000.

Foi em 2009 também que as polêmicas sobre o Enem iniciaram, pois nesse ano teve o primeiro vazamento do gabarito das provas. Nos anos seguintes as controvérsias continuaram: em 2010 houve erros de impressão – perguntas repetidas e fora de sequência; em 2011 houve questões do Inep que eram repetidas do Enem aplicado dias antes; 2014 houve o vazamento via WhatsApp da prova de redação minutos antes da mesma começar; 2015 houve boatos de vazamento do tema da redação, mobilizaram a polícia federal; 2016 houve vazamento de gabarito e tema da redação e em 2019 houve erro na correção das provas.

Devido à pandemia do coronavírus o Enem de 2020 que seria realizado em novembro foi adiado para janeiro de 2021.

O ingresso à universidade em outros países

A forma de ingressar em uma universidade varia de país para país. Observe abaixo como a seleção de estudantes funciona em outras nações:

Alemanha: no decorrer dos últimos três anos de estudo, os estudantes devem escolher uma especialização e, no final, realizar exames orais e escritos de assuntos ligados a essa escolha. O exame é chamado de Abitur e as vagas ficam garantidas àqueles que obtiverem melhores notas.

Argentina: todos podem ingressar na universidade pública, mas após um ano, passam por uma avaliação. Os aprovados nessa etapa prosseguem os estudos.

Estados Unidos: o histórico escolar é fundamental. Ao terminar o colégio, equivalente ao nosso Ensino Médio, os alunos enviam cartas de intenção às instituições de sua preferência, anexando o histórico e o resultado obtido no Scholastic Aptitude Test (SAT). Com base nesses dados, as universidades podem aceitar ou não o candidato. Aptidão com esportes ou talento artístico também podem influenciar a seleção.

Japão: depois de realizar uma prova de conhecimentos gerais, os candidatos fazem uma redação e uma entrevista com a comissão de seleção.